M&A: Fuga do tradicional

M&A: Fuga do tradicional
Uma análise chamada "Not Cosmetic" realizada pela ThinkingLinking, companhia especializada em desenvolver metodologias e estratégias para clientes em transações de Fusões & Aquisições, trouxe uma leitura interessante acerca do cenário recente das fusões e aquisições realizadas dentro do mercado de beleza. Foi realizada uma leitura das aquisições das principais companhias (L'Oréal, Unilever, Esteé Lauder, Coty, Shiseido, Johnson & Johnson, KAO, LVMH, Natura, Revlon e Kose) do setor realizadas nos últimos cinco anos. Segundo a análise, das 52 transações que essas companhias fizeram nesse período, 43 delas envolveram um ou mais valores que são consideradas tendências progressivas por parte da ThinkingLinking ao monitorar o setor. 

Entre os valores que mais estão envolvidos nas negociações estão: Natural; Ético; Eficaz; Digital/mercado jovem; e Emergentes/mercados demográficos (vide o gráfico). Na visão da companhia, agora há evidências claras de que os principais grupos de cosméticos estão tentando se expandir para o que chamam de ?cosméticos que não são cosméticos?. Isso porque, antigamente, essas grandes empresas de beleza ficavam tranquilas para manter seus market shares por conta da fidelidade dos consumidores, que adoravam as personalidades e a publicidade que construíam essas marcas. Entretanto, hoje, os consumidores passaram a se interessar por outras coisas além de moda, personalidade e status.



Para a ThinkingLinking, os consumidores querem produtos que os sirvam em vez de atender às necessidades que eles foram condicionados a desejar, como antigamente. Eles querem saber o que há em seus produtos em termos de eficácia, natureza e ética. Querem itens que sejam autênticos e conectados a seus pontos de vista, sentimentos, gostos e sua própria demografia. Esses consumidores exigentes estão comprando e se educando via online, se engajando e sendo influenciados pelo ativismo nessas questões, enquanto a tecnologia também está fazendo suas demandas uma realidade através do progresso científico.

E isso tem se refletido na postura das grandes empresas, que vivem um dilema por acharem difícil mudar ingredientes de seus produtos que já estão estabelecidos no mercado, a fim de atender a essa nova ordem mundial. Sem falar que elas também não possuem a agilidade que essas empresas mais novas e independentes possuem. Sendo assim, a saída tem sido encontrada por elas nas aquisições dessas marcas indies, que já nascem imersas nas direções progressistas que o mercado e os consumidores têm exigido nos tempos atuais.

Concentração das compras
A ThinkingLinking também realizou um levantamento sobre a atividade global das empresas de ingredientes cosméticos em operações de Fusões e Aquisições, de 2012 a 2016. Nesse período de cinco anos, aconteceram 50 negócios envolvendo 45 compradores de 16 países diferentes em 20 países-alvo, que movimentaram mais de 2 bilhões de euros. Dessa quantidade de negócios, em quase metade deles (22) os valores de investimento não foram divulgados. A amostragem aponta que 2012 e 2013 foram os anos em que as negociações se mostraram ligeiramente mais ativas e, desde 2014, a média se manteve em cerca de dez acordos por anos. 

A Europa é o local que mais realizou movimentações nesse sentido, tanto em termos de compradores como fornecendo alvos para investimento. Notou-se também o surgimento de investidores emergentes no Oriente Médio e Ásia. Pouco mais da metade dos acordos (28) foram aquisições de 100%, enquanto 14 acordos envolveram os proprietários originais mantendo uma participação acionária contínua. Desses 45 compradores, muitas caras novas surgiram no cenário de aquisições desse setor. E embora os compradores tradicionais estivessem por trás das maiores aquisições (de 100 milhões de euros), aquisições e negócios na faixa entre 10 mi e 100 milhões de euros foram realizados por companhias de médio porte bem estruturadas financeiramente e que estavam realizando sua primeira aquisição.

Na avaliação da ThinkingLinking, esses compradores compõem basicamente três grupos: de investidores financeiros; de compradores do próprio setor de ingredientes cosméticos; e oriundos de movimentos horizontais, que podem vir de setores como de Alimentos, Bebidas ou Produtores de ingredientes farmacêuticos. Em uma aquisição dentro do mercado de ingredientes cosméticos, os compradores levam em conta uma série de motivações. Entre elas podem estar: a busca para adicionar novos produtos que estão sendo demandados pelos seus clientes, como ingredientes e ativos naturais e orgânicos; dar mais suporte para que a sua área de P&D siga inovando; permitir que o comprador expanda sua presença em novos mercados geográficos e rapidamente; aumentar seu poder de negociação; entre outros pontos estratégicos.

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