O papel dos fatores psicossociais e dos neuropeptídios na pele.

O papel dos fatores psicossociais e dos neuropeptídios na pele.

Já sabemos que o stress agudo e crônico, bem como a depressão e ansiedade estão ligados a níveis aumentados de citocinas pró inflamatórias na pele, particularmente IL-6. E por outro lado o sofrimento psicológico pode ser amplificado pela própria inflamação, já que as citocinas pró-inflamatórias aumentam a ansiedade e pioram o quadro das condições cutâneas.

A comunicação bidirecional entre o sistema nervoso central e o sistema imunológico é evidente e já super bem comprovada, mostrando que as células linfoides expressam receptores para uma variedade grande de hormônios e neurotransmissores, afetando as respostas imunes através de neuroquímicos- e estes afetam as diversas funções da pele.

Um exemplo clássico é o das catecolaminas endógenas, que podem se ligar aos Beta receptores adrenérgicos em células T CD4 não estimuladas, resultando na queda de produção de interferon IFN-gama e aumento da produção de interleucina IL 4, depois do estímulo do receptor de células T. Ok, está tudo interligado mesmo!

Pandemia & Neuroticismo

Ainda vivemos a pandemia causada pelo Coronavirus, Covid 19, portanto o planeta anda com uma grande propensão ao sofrimento emocional, que está ganhando ares de cronicidade e isso dá um incentivo ainda maior a produção de IL-6. Um ar de “ neuroticismo” aflige mentes....e corpos....e peles.....Essa tendência a experimentar facilmente emoções negativas está causando um enorme rebuliço nas condições de pele dos habitantes do planeta terra, nos idos de 2020 – 2021.

Os surtos de doenças cutâneas, como por exemplo psoríase e quadros de hiper sensibilidade cutânea aumentaram consideravelmente nesses últimos 12 meses, desde que o confinamento foi determinado.

O desencadeamento dessas disfunções da pele centradas na condição autoimune têm uma base genética bem complexa. A matriz neuropeptídica localizada na pele inclui catecolaminas e peptídeos relacionados ao gene calcitonina e também aos fatores de crescimento NGF.

Para citar um exemplo fácil de entender, há evidências que a psoríase pode estar associada a desregulação do sistema nervoso periférico, nas placas psoriáticas há aumento na densidade de fibras nervosas e expressão de vários peptídeos.

Não é surpresa quando ouvimos relatos de pessoas com surtos de psoríase durante este ano de pandemia, quando mencionam a piora da qualidade de suas vidas e uma série de consequências psicossociais negativas, como quadros de depressão, stress, estigmatização social e até pensamentos suicidas. Tudo isso como consequência de hormônios responsivos secretados e em circulação também na pele.

Dermatite atópica num ritmo crescente

Essa doença inflamatória crônica recorrente, associada a coceira e eczema é manifestada através de uma interação complexa entre genética, fatores ambientais e imunológicos. O stress impacta negativamente por meio de diferentes mecanismos, começando por afetar a permeabilidade da barreira cutânea e a homeostase. Com isso há um aumento da capacidade de sensibilização frente alérgenos e organismos microbianos, levando ao aumento dos níveis

de catecolaminas. Dá para palpitar se os índices de DA aumentaram no último ano?

Até a acne?

Se você pensa que acne é uma patogênese caracterizada apenas pelo aumento da colonização de bactérias anaeróbias, aumento da secreção sebácea, inflamação e hiperqueratinização, está deixando de considerar um aspecto importantíssimo: o stress aumenta significativamente os quadro acnéicos. O hormônio liberador de corticotropina promove a lipogênese em sebócitos por meio da regulação positiva de enzimas chave e induz o aumento na concentração de IL-6 e

IL-11 nos queratinócitos, contribuindo para o processo inflamatório da acne. Pois é, o confinamento causou um surto de acne não só pelo uso das máscaras, que

ficou conhecido nas redes sociais como “ mascne”, como uma menção a oclusão estabelecida por este artefato protetor que se incorporou na vida de todos, mas

muito mais pelo stress que toda esse desequilíbrio mundial vem causando ao ser humano e, obviamente, a pele, órgão de defesa do ser humano.

Stress, stress, stress e suas péssimas consequências:

Sim, o stress causado pela pandemia pode causar danos fisiológicos e funcionais para a pele, com maior perda transepidérmica de água, maior esfoliação e maior propensão até para a formação de rugas por deficiência na produção de ceramidas e ácido

pirrolidina carboxílico.

A proliferação e diferenciação celular é afetada pelo stress.

A densidade dos corneodesmossomos é afetada pelo stress.

A síntese de lipídeos é afetada pelo stress.

A produção de corpos lamelares é alterada pelo stress.

Toda a função barreira está mais comprometida nestes tempos atuais, tempos de stress democratizado.

Uma bela função para os novos cosméticos

Já que existe um equivalente do eixo hipotálamo-hipófise- adrenal dentro da pele, que é afetado pelo stress extrínsecos, alterando a liberação de corticotrófica e glicocorticoides, devemos ter total consciência que a redução do stress é totalmente possível. E nós, da Cosmetologia, podemos ajudar muito nessa empreitada.

Estudos prá lá de recentes confirmam o papel crítico da aplicação de cremes cosméticos ricos em lipídeos selecionados como biomiométicos aos produzidos naturalmente pela pele como restauradores da homeostase e integridade do estrato córneo. Parece tão simples!

Mais estudos, agora vindos da área neuro-aromatológica, mostram que é possível usar cheiros para ativar o sistema nervoso central na área do núcleo supraquiasmático para ajudar a regular os ciclos circadianos e estimular a produção de melatonina pela glândula pineal, fazendo o cidadão dormir melhor e, portanto, deixara mitose celular cutânea fazer seu trabalho direitinho.

Nessa enésima fase das fórmulas cosméticas modernas, a neurociência entra em campo para

garantir mais um vitória ! 

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