Biocosméticos e Inovação

Biocosméticos e Inovação

Biomédica, com experiência laboral em empresas nacionais e multinacionais para o desenvolvimento de portfólio, gerência de grupo de produtos e marketing, assessoria técnico- comercial e coordenação da garantia da qualidade- microbiologia.

Uma pergunta interessante me fez iniciar o raciocínio deste artigo: - Quanto utilizamos o termo BioCosméticos, falamos em Biodiversidade ou em Biotecnologia?

E a resposta veio fácil! Falamos dos dois termos. Inovar em cosmetologia é saber utilizar a biodiversidade e seus ativos disponíveis, por exemplo, sem devastá-los, formatando as Cadeias de Valor através de processos regenerativos, utilizando a biotecnologia como ferramenta principal.

Um dos vários conceitos que podemos encontrar na literatura, diz que biotecnologia, é aplicar os conhecimentos das ciências da vida para a criação de produtos e processos que tragam benefícios a nós, seres-humanos, melhorando a qualidade e eficiência na produção, por exemplo, de ingredientes para os segmentos de cosméticos, alimentos e bebidas e de fármacos.

Os micro-organismos, por exemplo, compõem o principal segmento da biotecnologia, liderando o mercado com verdadeiras biofábricas de ativos. Através deles podem-se obter por exemplo, metabólitos secundários e biomoléculas enzimáticas, que são já muito utilizadas em fármacos, cosméticos, bem como em produtos alimentícios. Células vegetais cultivadas, igualmente nos fornecem metabólitos secundários de grande interesse no segmento cosmético.

Uma planta pode oferecer todas as biomoléculas de interesse na fabricação de um produto cosmético, começando pela textura e aparência, através de seus polímeros, pigmentos, polissacarídeos, como também suas enzimas, peptídeos e metabólitos secundários como, como polifenóis, alcalóides, carotenóides entre outros, fornecendo os ingredientes ativos que conferem propriedades específicas ao produto, da mesma maneira que os óleos essenciais presentes em algumas plantas podem fazer parte do sistema conservante, ou aromático de um produto além de moléculas com ação despigmentante, antioxidantes, vitaminas e resinas, com possível ação fotoprotetora, por exemplo.

Biocosméticos formulados tanto com ingredientes ativos vegetais como com ingredientes derivados de rotas microbiológicas, cumprem e devem cumprir sempre, as exigências de um mercado consumidor, cada vez mais consciente e conhecedor de seus benefícios, e que hoje, ditam regras e tendências.

Os bioativos obtidos através de processos inovadores, proporcionam alto valor às formulações cosméticas. Portanto, quanto mais se investir em inovação biotecnológica para a obtenção de ativos e de processos, mais abandonaremos o extrativismo sem escrúpulos, protegendo cada vez mais os nossos recursos vegetais, sejam árvores, plantas, folhas, raízes, e frutos por exemplo, que fornecem aquele claim tão desejado.

Alguns tipos de ativos para processos como Peelings podem ser considerados naturais, pois são produzidos com enzimas como proteases e lipases, usadas diretamente na pele, e que proporcionam de limpezas mais profundas, até a regulação de secreções sebáceas, ou um despigmentante para manchas. Substâncias pró, pré e pós-bióticas, já são muito apreciados e buscados pelos consumidores que exigem um excelente biocosmético, formulado com bioativos naturais.

E o que falar então das tão desejadas bio-embalagens, que podem ser produzidas com resíduos de subprodutos de frutas e leguminosas, desperdiçados até então, através de bioprocessos inovadores, gerando aí mais um “Bio”, o da Bioeconomia! Fórmulas minimalistas e empresas que comprovem que os ingredientes presentes em seus produtos cosméticos não destruíram o meio ambiente é imperativo a partir de agora. 

Tanto a geração Y (dos 21 aos 34), como a geração X (dos 35 aos 49), como nós, os Baby-Boomers (dos 50 aos 64), além das gerações dos estremos opostos, os 65+ ou da geração Z (15 aos 20), são muito conscientes da necessidade da preservação do meio-ambiente.

Os 8 R´s da Sustentabilidade já estão na cabeça e no coração de todos! “Refletir/Reduzir/Reutilizar/ Reciclar/Respeitar/Reparar/ Responsabilizar-se e Repassar”!

As empresas se dedicam cada vez mais a pesquisas incríveis para a obtenção dos melhores bioingredientes, através de tecnologias limpas e estão dando um show de lançamento a cada ano. Usar recursos naturais de forma sustentável, não apenas explorando, mas “biofabricando” alguns ativos ingredientes de uma forma inovadora é uma forma de garantir a preservação dos biomas e das espécies, fornecendo inovação de qualidade, com produtividade e competitividade.

Poder hoje fazer parte de um instituto chamado ITCBIO- Instituto tecnológico das cadeias biossustentáveis e poder divulgar todo seu portfólio de bioativos, moléculas diferenciadas, estudos e pesquisas em inovação para indústrias e seus departamentos de P & D I, é a realização de um sonho, construído com muito esforço, estudo, dedicação, mas acima de tudo, persistência e curiosidade. Viva a biotecnologia no segmento cosmético!

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