Artigo de Opinião: Perfumaria da pele para dentro

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  • 22 de Setembro de 2021
  • Esper Leon é articulista especialista em perfumes e mantenedor do perfil @frangipaniperfumes no Instagram
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Artigo de Opinião: Perfumaria da pele para dentro

Ao longo de sua história, os perfumes vêm acompanhando a humanidade, em maior ou menor proporção, como uma espécie de recurso de (re)conexão, um elo entre quem se perfuma e alguma de suas memórias ou aspirações. Da fragrância que remete ao bolo de baunilha preparado com tanto carinho e esmero pela saudosa vovó, ao perfume “matador" que garantirá várias e intensas conquistas amorosas ao longo de uma festa naquela badalada casa noturna. De uma forma ou de outra, até aqui, essas (re)conexões se dão de forma externa, da pele para fora.

No entanto, no que depender dos resultados dos muitos anos de estudos, pesquisas e aprimoramentos que vêm sendo realizados pelas maiores casas de fragrâncias do mundo, isso está prestes a mudar. Ou, com efeito, já está mudando. Projetos como o Science of Wellness, da IFF, EmotiWaves™, da Firmenich, ou VivaScentz™, da Givaudan, com até 40 anos de desenvolvimento e pesquisa, como no caso da IFF, têm rendido frutos interessantes com a utilização, por exemplo, da neurociência e preceitos da aromacologia – termo registrado no final da década de 1980 pelo Sense of Smell Institute e define a ciência que estuda a ativação de determinadas áreas do sistema límbico e do hipotálamo pelos cheiros, e neste caso específico, pelas fragrâncias produzidas por esses desenvolvedores.

Já há alguns anos, a neurociência vem sendo utilizada na construção de fragrâncias. Essa prática não é uma tendência per se. A utilização de novas tecnologias, seja quais forem, pela indústria de fragrâncias e especificamente de fine fragrance é uma realidade desde sempre.  A novidade que deve se tornar uma tendência a partir dos próximos anos é a aplicação dessas tecnologias com uma compreensão holística, visando ofertar ao consumidor não mais apenas memórias olfativas, como no caso do bolo de baunilha da vovó, ou de aspirações externas, como a conquista de um parceiro, mas também uma outra camada de atuação, a do bem-estar; uma perfumaria da pele para dentro.

Dados da WGSN (Worth Global Style Network) dão conta de que nos próximos anos as fragrâncias assumirão um novo papel, com muito mais propósito, se tornando mais funcionais, unido bem-estar, sensação de higiene, e, sobretudo, emoções. Recentemente, O Boticário, Hinode, e a estadunidense Jeunesse apresentaram ao mercado brasileiro seus novos pilares de marca: Aroma & Terapia (Mane), Life (Firmenich), e E-V?k (Givaudan), respectivamente.

Em comum, as três coleções oferecem fragrâncias que com comprovação científica por meio de registros de testes controlados entregam sensação de energia a relaxamento, passando por um "banho de floresta”, ou shinrin-yoku, uma prática japonesa com propriedade terapêutica que aprimora o estado de relaxamento físico e mental.

Mitsouko, de Guerlain, e L’Air Du Temps, de Nina Ricci, foram duas fragrâncias que surgiram, a seu tempo, em momentos pouco alvissareiros da história da humanidade – as duas grandes guerras – e tiveram, a seu modo e dentro de suas possibilidades, papel importante ao trazerem ao seu público algum alívio, algum conforto. 

Agora, nos primeiros anos da segunda década do século 21, chegou a vez de fragrâncias com respaldo científico, oferecerem, da pele para dentro, bem-estar e suporte emocional.

Esper Leon é articulista especialista em perfumes e mantenedor do perfil @frangipaniperfumes no Instagram 

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