O corpo no tempo. O tempo no corpo

A indústria de beleza, em especial a de produtos para pele, precisa dar mais atenção à sua comunicação com os jovens


Tente se lembrar da corrida do ovo... Lembra?

Aquela em que o desafio era chegar ao fim da corrida  sustentando uma colher contendo um ovo com a boca. Se vacilasse, o ovo se estourava no chão... Antes de a corrida acabar. Me ocorre que, metaforicamente, recebemos um ovo para vivermos aqui ? o nosso corpo. O desafio é manter o corpo ao máximo que pudermos durante a nossa jornada.

Eu cresci num tempo em que muito se falava de prevenção, de anti-idade, antienvelhecimento. Minha primeira linha de cuidados foi  Natura Chronos e eu tinha apenas 23 anos. Era assinante de diversas revistas e gostava muito de ler a respeito desse tema.

Entendi, desde aquele época, que a jornada pode ser muito longa (e de fato o tempo de vida médio aumentou bastante) e que pode ser cheia de altos e baixos. E quando estamos lá embaixo é que precisamos mais de estarmos com o corpo em dia.

Acredito que essa informação e entendimento foram muito bons. Pelo menos pra mim. Hoje estou com 48 anos e acho muito divertido associar a idade à minha pessoa.

O fato é que ainda tenho muito a viver, muito a experimentar, muito a resolver, sonhos a realizar, enfim, ainda estou na flor da idade.

Conversando com uma garota de 21 anos recentemente, (esta estava em aflição!!!) ela mencionou que não a ensinaram a pensar no futuro. Não lhe disseram como seria ser adulto. Ela aprendeu a viver o hoje...

Interessante... E preocupante também!

Existe toda uma geração que de fato só vive o hoje. Levam seus corpos ao extremo em uma noite. Se alimentam mal. Não se exercitam. E quase não dormem. São capazes de fazer loucuras para obter uma gratificação instantânea.
Com 25 anos, têm a aparência de 35. Levando-se em conta que hoje podemos viver até uns 90 anos, o "ovo" caírá bem antes...

Mas aonde quero chegar com todo esse discurso?

É que existe um tempo para o corpo - que é o tempo de vida de cada um, que ninguém sabe de antemão quanto é. E existe o tempo da jornada ? que é o tempo que corre fora de nós, o tempo do relógio. Aquele em que organizamos nossas metas e objetivos. Saber que o tempo do corpo é um só e depois é o fim e que o tempo da jornada é escamoteável, nos faz pensar a longo prazo. Cuidar, a longo prazo. Preservar. Afinal, se a jornada for desgastante, vai utilizar mais do tempo do corpo - ou seja, o tempo do corpo vai diminuir.

Quando atores relacionados ao mercado de beleza, publicações importantes inclusive, trazem a questão de que não devemos usar o termo antienvelhecimento, ou anti-idade, porque a sua aplicação traria consigo uma "promessa" que vai contra a natureza (de fato, envelhecer é um dado da natureza), é de se pensar qual o papel da indústria de cuidados com a pele, especialmente as que atuam no segmento facial ? que pesquisa, desenvolve e vende produtos cujo objetivo final é sim ajudar as pessoas a prevenir e minimizar o desgaste provocado pelo tempo.

Será que isso é não querer envelhecer? Ou é querer manter-se no seu melhor?

Será que é combater a idade? Ou buscar, apesar da idade, não aparentá-la?

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