CVS compra 80% da Drogaria Onofre e marca entrada no varejo farma brasileiro

A rede de drogarias brasileira Onofre acaba de anunciar a venda de 80% da empresa, que pertence à família Arede, para uma das maiores redes farmacêuticas do mercado norte-americano, a CVS Caremark. Em dezembro do ano passado, surgiram rumores de que o negócio estaria praticamente fechado, entretanto, na época, os executivos da rede negaram que tal negociação estaria acontecendo. Os Arede, cujos irmãos Marcos e Ricardo comandavam a operação, devem seguir na empresa como acionistas minoritários e as divídas da varejista devem ser transferidas para a CVS. O valor desembolsado pela norte-americana não foi revelado. Com 44 lojas, a Onofre tem forte presença na capital paulista. A empresa opera também o maior e-commerce do setor, que chega a responder por 40% do faturamento da rede.

Com o fechamento do negócio, a CVS se torna-se a primeira rede norte-americana a atuar no varejo farmacêutico brasileiro. As poucas experiências anteriores de varejistas estrangeiras no canal farma brasileiro, não foram bem-sucedidas. No início da década passada, o grupo chileno FASA, controlador da Farmácias Ahumada, comprou a rede paranaense Drogamed. A empresa deixou o negócio, alguns anos depois. Há alguns dias, outra varejista latino-americana, a mexicana Casa Saba, encerrou as suas operações no Brasil depois de vender as bandeiras Farmalife e Drogasmil, adquiridas no final da década passada, para a distribuidora farmacêutica Profarma.

O anúncio da compra da Onofre, a oitava maior rede de drogarias do país pelo ranking da Abrafarma, é mais um lance no tabuleiro de xadrez que se converteu o agitado varejo farma brasileiro. Há um ano e meio o mercado vem assistindo à formatação de grandes grupos varejistas, que têm mudado as feições desse negócio no país. No segundo semestre de 2011, as paulistanas Raia e Drogasil uniram forças para combater o crescimento de redes como Pague Menos, única no Brasil com presença em todos os estados brasileiros, e BrPharma, empresa que congrega as principais bandeiras do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Para não ficar para trás, a Drogaria São Paulo, outra gigante paulista, adquiriu a carioca Pacheco, garantindo assim, a vice-liderança no ranking das maiores drogarias do país.

Em janeiro desse ano, a Profarma anunciou a compra de três redes cariocas. Além da Farmalife e da Drogasmil, a empresa comprou 50% da Drogaria Tamoio, marcando assim sua entrada no varejo.

Para os executivos do setor, a entrada de um player internacional era somente uma questão de tempo, embora esse tempo tenha sido mais curto do que a maioria deles esperava. O desaquecimento da economia de países desenvolvidos, além do aumento de renda dos brasileiros e o alargamento da classe C no País, que já representa 42% das vendas desse mercado, têm mudado os rumos dos investimento internacionais, e colocado o Brasil no radar de varejistas que procuram novos mercados para expandir. "Nós enxergamos o Brasil como um mercado atrativo, dado que o mercado farmacêutico no País deve apresentar crescimento na casa dos dois dígitos na próxima década e, enquanto as redes prevalecem, ele ainda é um mercado fragmentado. Sendo assim, nós vemos boas oportunidade para crescer ao longo do tempo", destaca Larry Merlo, CEO da CVS.

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