Acessórios para embalagens: a força dos detalhes

Há quem diga que os detalhes são a chave da inovação e da diferenciação, que talvez as mais brilhantes ideias residam na observação dos pontos e no desenvolvimento de soluções que transformam o bom em ótimo. Quando o assunto é design de embalagem, isso não é só verdade, mas tendência    


Não é de hoje que o mercado de embalagens tem observado uma oportunidade de inovação por meio do uso de acessórios como: laços, acabamentos com texturas, estampas personalizadas, pingentes, fitas em formato de flores, entre outras soluções que chamam a atenção do consumidor. No mercado internacional essa já é uma prática habitual da indústria, não somente em produtos de alto valor agregado, mas também nos de menor valor.

Por aqui, essa técnica de design de embalagem tem entrado, sorrateiramente, pela porta dos cosméticos. Marcas brasileiras de produtos de beleza como O Boticário, Eudora e Jequiti já possuem em seu portfólio produtos que foram sucesso graças a tais diferenciais de embalagem.

Mariana Nogueira, gerente de Embalagem da Jequiti, explica que além de agregar valor ao produto e à embalagem, os acessórios podem funcionar como uma espécie de brinde para o consumidor, que adora ser presenteado: “Um ‘mimo’ que consiga complementar o conceito do produto faz toda a diferença para o consumidor, além de funcionar como uma característica de identificação desse item em especial”, explica. A opinião de Mariana é compartilhada por Gabriela Shultze, coordenadora de inovação da PH Fit, empresa têxtil especializada no fornecimento de fitas decorativas: “A embalagem decorada cria um vínculo maior entre consumidor, marca e produto, o que acaba fidelizando o cliente”, define, convicta.

Mas não é só isso: esse tipo de detalhe, além de deixar o produto mais bonito, também lhe agrega valor e confere certa praticidade à embalagem. “Muitas vezes, o acessório traz funcionalidade. A utilização de uma lata como invólucro de um produto, por exemplo, permite ao consumidor utilizá-la também como algo colecionável ou para armazenar objetos,” ressalta Rodrigo Wielecosseles, gerente de Desenvolvimento de Embalagem do Grupo Boticário.

Em termos práticos, é lógico, a inovação por meio de acessórios também pode trazer vantagens financeiras. Gabriela acredita que essa é uma técnica interessante para quem quer ter destaque no ponto de venda, sem precisar investir pesado em desenvolvimento de embalagem. Isso porque, segundo corrobora Margot Takeda, designer de embalagem e sócia-diretora da agência A10, pensar em um invólucro diferenciado pode muitas vezes sair caro. “Principalmente se a inovação residir no investimento de um frasco com um formato fora dos padrões, o que exigirá a compra de moldes específicos, o que demanda um alto investimento e, consequentemente, o aumento do preço do produto para o consumidor”, afirma ela.

Equilibrando custos e inovação
Por mais que os custos resultantes do acréscimo de um acessório à embalagem sejam mais baixos do que o investimento em um frasco exclusivo, Margot, da A10, lembra que, ainda assim, agregar um pingente ou uma fita à embalagem aumenta os custos de produção, principalmente porque, no geral, o processo de encaixe do acessório no invólucro é feito manualmente. Segundo ela, essa demanda por mais investimentos faz com que alguns empresários descartem a possibilidade de trabalhar com esse tipo de diferenciação no design da embalagem.

Assim, ainda segundo a designer, a empresa deve ponderar se o investimento compensa ou não. Ela explica que esse tipo de técnica é muito bem aproveitada para produtos de alto valor agregado e bens voltados para o uso das classes A, B e, de vez em quando, da classe C. Ela ainda acrescenta que investir em um acessório ou brinde que venha junto com o produto também pode ser interessante para uma ação promocional, ou para a venda de um produto que circule por tempo limitado, pois o investimento pode ficar pesado para mercadorias fabricadas em grande escala. “Seja como for, a aposta nesse tipo de recurso para as embalagens confere à empresa uma imagem de ousadia. As companhias que possuem um forte compromisso com a inovação, no geral, investem em saídas criativas, mesmo que saia mais caro”, completa Margot.

Pré-disposição ideal
Entretanto, não é somente a boa vontade do empresário em apostar em projeto de embalagem ousado que tem o dom de, eventualmente, viabilizá-lo. Mais do que isso, é preciso que exista uma sinergia entre investidor, a agência e os distribuidores, dento do espírito de uma parceria que, se bem arranjada, pode tornar um projeto criativo numa realidade com custos acessíveis.

Falando pelos designers, Margot acredita que uma das principais atribuições da agência que trabalha com a criação de embalagem é equilibrar o “belo” com o “fácil e barato” de ser produzido. “A gente sabe que existem recursos que agregam valor, porém, na produção, eles acabam ficando pouco viáveis. Por exemplo, quando pensamos em colocar uma fita num determinado item, é preciso pensar se é possível conseguir uma que já venha pronta para colar ou, ainda, se é possível comprá-la na China por um preço mais baixo. Em outras palavras, é preciso pensar nos dois mundos: no design e na produção”, aconselha.

Já Gabriela, da PH Fit, explica que a empresa, como fornecedora desse tipo de acessório, investe constantemente em novas técnicas para facilitar sua aplicação no produto na fábrica de seus clientes. “No mercado de cosméticos, a grande procura é por fita pré-cortada. Nossa linha de fitas pré-cortadas tem como principal diferencial a otmização do processo de produção em escala ao eliminar a etapa de corte da fita. Complementarmente, o sistema também evita perdas durante o processo produtivo: o corte é feito a quente para que a fita não desfie e o cliente a recebe pronta para ser aplicada, no tamanho correto”, esclarece.

Na mesma medida que os fornecedores de acessórios têm investido em novas técnicas para diminuir os custos de produção para seus clientes, as agências de design correm atrás de parcerias capazes de viabilizar a transformação de suas ideias em realidade. Mas a pré-disposição dos empresários é essencial para o sucesso do projeto. E isso, por motivos óbvios: eles têm que ter sempre em mente que embalagem é a primeira plataforma de contato que o consumidor tem com o produto. Ato contínuo, investir em um produto bonito, que chame a atenção e traga algum tipo de inovação, é fundamental para se diferenciar em um mundo cada vez mais competitivo.

Obviamente também, manter essa pré-disposição não significa, absolutamente, investir milhões de reais em projetos muito criativos somente por amor ao belo, sem o retorno financeiro devido, mas, sem dúvida, é uma forma eficiente de encontrar um ponto de equilíbrio entre inovação e custo – uma equação que pode conter um número infinito de variáveis, porém que necessita de mentes um pouco mais abertas para tangenciar a solução ideal.

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